Panorama econômico e oportunidades para as exportações

Qual o panorama para exportações?

O real altamente desvalorizado, taxa de juros alta, perda do grau de investimento, inflação fora do controle, crise na China e manutenção da taxa de juros nos EUA. Qual o impacto disso tudo no comércio exterior brasileiro?

Esse foi o tema proposto para debate no encontro realizado na última quarta-feira, dia 21 de outubro na sede da AMCHAM, a Câmara Americana de Comércio em Curitiba: O Atual panorama econômico e seu impacto no comércio exterior.

Com sua abordagem realista e uma exposição aprofundada de dados que retratam a atual e histórica recessão das economias no cenário internacional, o economista Gustavo Fanaya do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade nos reafirmou a condição de um Brasil não próspero. Em contrapartida, Gabriel Araújo de Lima do Instituto de Pesquisas em Comércio Internacional e Desenvolvimento nos alertou para a ocorrência de falhas em projeções e o otimismo para um cenário de oportunidades.

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Como educadora e profissional do setor, devo ponderar primordialmente sobre dois fatores. Primeiro através de uma ótica reflexiva sobre as projeções exatas, que entendo como simultaneamente corretas e falhas.

Projeções são corretas por serem baseadas em históricos de comportamento. O advento e aprimoramento da tecnologia da informação nos propicia a aplicação de técnicas de mineração em crescentes bancos de dados com variáveis inclusive qualitativas para a elaboração de futuros cenários. Mas pela própria natureza de projeções, elas serão sempre cenários.

Seguindo essa linha de entendimento, posso então afirmar que projeções são também fundamentalmente falhas no sentido em que a cultura humana é um fator orgânico e subjetivo. E por mais que consideremos nas projeções suas diversas implicações qualitativas, ela é uma variável construtiva de constante transformação.

Apresenta-se portanto uma proposta diferenciada na abordagem através da qual podemos identificar e conduzir as oportunidades diante do atual momento de recessão econômica no Brasil: projetarmos a transformação da nossa cultura econômica. No caso brasileiro, existe um desequilíbrio no duelo entre reclamar o problema e debater e executar as propostas de solução. Falta otimismo, falta objetividade.

O segundo fator que gostaria de ressaltar é a existência de mecanismos institucionais de suporte para o momento em que o Brasil se encontra, frente às suas oportunidades. Com o dólar altamente valorizado as exportações brasileiras se tornam competitivas em preço, mesmo que com seu potencial minimizado devido às extensivas condições burocráticas e limitações de infraestrutura com as quais devemos lidar nas suas operações. De todo modo, não falta iniciativa. O que falta é interesse de continuidade, multiplicidade e acessibilidade às ferramentas implantadas pelos órgãos responsáveis, que precisam ser impulsionadas pela participação profissional civil.

Dentre os mecanismos hoje em vigência devo citar em maior grau o Plano Nacional da Cultura Exportadora que, articulado pela Secretaria de Comércio Exterior do MDIC vem sendo difundido aos estados. O plano tem por objetivo desenvolver a cultura exportadora através da capacitação de gestores públicos, empresários e profissionais do comércio exterior a fim de aumentar e qualificar a base exportadora. Eis aqui, portanto, uma “call for action” para uma abordagem participativa na adoção de planos de governo, aplicá-los e incrementá-los junto às nossas ações no setor privado.buchman-2

Maiores informações através dos sites:


Sobre a autora:

Juliana Michelon Alvarenga é formada em Relações Internacionais e possui MBA em Business Intelligence. Experiência profissional corporativa em linguística, comércio exterior, projetos e pesquisa.

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